Causas mais comuns
As causas de trauma dentário podem variar consoante a idade, sexo, patologias presentes e até o nível sócio económico.
O trauma dentário na infância deve-se a fatores etiológicos e fatores anatómicos.
Como fatores etiológicos mais frequentes temos os acidentes de viação, prática de atividades físicas, quedas, colisões e maus-tratos. Overjet aumentado, agenesia dos incisivos, apinhamento e projeção labial são alguns dos fatores anatómicos que podem favorecer a ocorrência de traumas dentários nas crianças.
A grande maioria das lesões causadas por traumas dentários envolvem os dentes anteriores e tecidos adjacentes com maior incidência sobre os incisivos superiores. A mastigação e a fonética da criança podem ficar afetadas e tais consequências podem acompanhá-la até à sua dentição permanente.
Os traumatismos estão muitas ezes relacionados com a falta de coordenação motora correspondente à fase de desenvolvimento em que se encontra a criança.
À medida que elas crescem e se tornam mais independentes, as causas do trauma alteram-se.
O primeiro episódio de trauma nos dentes decíduos ocorre normalmente nos primeiros 2 anos de vida, quando a criança começa a dar os primeiros passos sem grande coordenação motora. Nesta fase, as crianças não têm o reflexo de proteção do rosto e região da boca.
De um modo geral, as crianças são muito curiosas, demonstram muita vontade em explorar e conhecer o meio que as rodeia, o que facilmente resulta em traumas dentários. Outra idade muito comum para a ocorrência de traumas dentários é entre os 8 e os 12 anos. Nesta faixa etária, a estrutura periodontal dos dentes em erupção está mais frágil apresentando resistência mínima a forças extrusivas. Aliada a estra fragilidade verifica-se um aumento da taxa de maus-tratos, acidentes de viação e maior prática de atividades físicas.
Crianças do sexo masculino estão mais predispostas a sofrerem trauma dentário devido à sua maior participação em atividades ao ar livre e personalidade bélica que pode levar a que participem em mais conflitos geradores de violência.
Além de problemas estéticos, as crianças que sofrem trauma dentário são afetadas a nível psicológico e social.
O trauma pode conduzir à perda de dentes no momento do acidente e perdurar mesmo até depois do tratamento. Crianças que sofreram trauma dentário podem ser vítimas de discriminação por parte dos colegas. As crianças podem ser bastante desagradáveis provocando na criança lesada um sentimento de inferioridade, baixa auto-estima e inclusive podendo afetar o seu desempenho escolar.
Crianças com necessidades especiais como problemas visuais correm maior risco de sofrerem traumas dentários.
Os distúrbios neurológicos podem desempenhar um papel importante devido à maior probabilidade de acidentes e quedas, quando sofrem de distúrbios comportamentais estão mais sujeitas a sofrerem traumas dentários devido ao seu carácter mais violento e ao mau relacionamento com colegas.
Estudos comprovam que crianças com excesso de peso estão mais suscetíveis de sofrerem traumas dentários porque são menos ágeis e sofrem quedas com maior facilidade.
O papel dos pais é fulcral no período que sucede o trauma. Os traumas dentários ligeiros são facilmente negligenciados pelos pais que não sabem ao certo como agir perante os sintomas. Essa incerteza quanto ao modo de ação pode prejudicar a normal erupção dos dentes permanentes e gerar sentimento de culpa nos pais por não terem agido corretamente no passado. Muitas das vezes, os pais nem chegam a aperceber-se do trauma dentário que é detetado posteriormente pelo médico dentista em consultas de rotina dificultando o seu trabalho e sucesso do tratamento.
Nunca é demais relembrar a importância de visitas regulares ao consultório dentário porque infelizmente muitas das vezes o trauma dentário é o acontecimento que leva pais e filhos a procurarem o médico dentista pela primeira vez.
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